quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Natividade: Fino estilho

Natividade: Fino estilo

Mãe


Mãe aquela lágrima,
Foi a última que eu enxuguei!
Acabou teu sofrimento,
Na terra onde te acompanhei.

Já chorei, não mais lamento,
Pois tu nem disseste adeus!
Tinhas certeza que um dia
Nos encontrarias nos Céus.

Mãe, deste tanto carinho!
A teus filhos e aos parentes.
Imagino como sofrias,
Pelos que estavam ausentes!

Mas é a lei da vida
Como é a lei da gravidade;
Nem uma folha seca cai
Se, não é pela Divindade.

A nossa casa lá está
Abandonada à tristeza.
Aonde houve tanta alegria,
Tanta vida, tanta beleza!

Tanta ternura e amor!
Só sabe quem conheceu.
O meu pai e a minha mãe,
Viveram esse apogeu.

Maria Natividade

Fique

Ah! se você viesse,
A lua despontasse
As estrelas brilhassem,
E a lua se pusesse:
Ah! se o sol nascesse,
E a gente se esquecesse
E você ainda estivesse!

Ah! se a lua clareasse...
E você me beijasse
E o berço do amor,
Ainda me embalasse...
Chegasse,
O perfume da flor
Nas manhãs de frescor
E você ainda me amasse!

Ah! se o sol já iluminasse,
Ou a chuva se chovesse,
O amor me envolvesse,
E você ali ficasse!
És o sol que me aquece,
Que paraíso é esse?
Que jamais terminasse...

Maria Natividade

Brincar com Rimas


Fado, lembra taberna
A canção de amor mais terna,
Cantada com o coração;
Fala sempre de saudade
De, quem sai da sua cidade
Da vila ou da nação.

Porque sentimos saudades,
Quando se tem liberdade?
É romantismo talvez...
É um mal  de qualquer idade
Ou é um bem que invade,
O coração português?

Gosto do fado corrido,
Fado alegre ou fado triste.
Da Alfama ou da Madragoa;
O do Max da Madeira,
Ou o da fadista cantadeira,
Gosto do fado em Lisboa.

Ouço o fado, canto o fado
Amo o som de uma guitarra
Com um baixo ou violão;
O músico, o lê com os dedos
E , fala dos meus segredos,
Escritos  por minha mão.

Quando ouço uma guitarra,
A minha alma se eleva
Entro em estado de  graça;
Quando a noite é uma selva
Ou num campo cheio de relva,
Ou num coreto de praça.

Adoro brincar com palavras
Pôr nelas meus sentimentos,
E, se de mim te aproximas;
Faço poemas de amor
Que ouço a voz e vejo cor,
Adoro brincar com rimas.

Maria Natividade

Abandonada

Por quê me sinto abandonada?
Se nem Deus, nem ninguém me abandono;
Foi eu mesma que me abandonei.
E o mundo é que me criou.

Certos dias sentimo-nos sós,
Outros dias nosso mundo é cheio.
Sentimos isso na alma porque,
Constantemente tudo muda em nosso meio.

Nosso mundo é tão pequeno,
Para que nos sintamos completos, felizes.
Nascemos num país, algo nos falta,
Por isso, corremos outros países.

Nossa luta é pra encontrar,
Um mundo a nosso jeito.
Vamos assim aprendendo,
Que neste mundo, nada é perfeito

Maria Natividade