sábado, 29 de junho de 2013

AMÁLIA

Hoje Lisboa chorando
gritava Amália já dorme
mas é ela que se escuta
a sua obra é enorme
enquanto Amália dorme
da sua voz se desfruta

A canção que tu amavas
e a tantos encantavas
não vais agora calar
eram gritos de saudade
de amor e liberdade
o que Amália quis cantar

O fado hoje entristece
que de saudades padece
para outros é alegria tu não te calas Amália
tua canção continua
a nos fazer companhia

Portugal está de luto
um silêncio absoluto
com um sentimento profundo
o fado não vai morrer
Amália o foi cantar
Aos quatro cantos do mundo

Ao passar pelo Rossio
senti um enorme frio
ouvi Amália morreu
como pode? eu ouço a voz
ela canta entre nós
isso não aconteceu

Amália também sofreste
enquanto aqui viveste
dores e desilusões
mas foste mulher destemida
davas um sabor à vida
com tua voz e teus dons

Que ao sabê-los
tu nunca mais calaste
por todo o mundo onde andaste
amaste a Pátria querida
e a saudade que se sente
e onde havia um ausente
lhe animavas a vida

Cantando o fado em Lisboa
Moraria e Madragoa
enfim o mundo a teus pés
cantavas teu fado Amália
sem te conhecer eu cantava
agora já sei quem és
Guitarra portuguesa de 1940, feita por Antônio Martins Alves




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