Eu sou artista, sou um grande artista, porque vivo criando.
Crio encrencas, crio inimizades, crio dívidas e crio doenças
em mim e nos meus familiares.
Com 150 reais é preciso ser um grande artista, tem que ser
também milagreiro e bom contador de histórias, quando
aparecem os cobradores.
Mas continuo criando. Criando confusão, coisas absurdas.
Só que o povo não gosta da minha arte, mas eu vou criando
sempre,uma diferente da outra, só não consigo vender nenhuma.
Sou artista mesmo; não sou especialista, não consegui me
especializar em nenhuma, em nada.
Não ganhei dinheiro.Mas também pra quê dinheiro, se o artista
não decola?
É coisa que brasileiro nem noção tem na escola. Criança no meio
da rua, ou então cheirando cola.
Nem arte nem profissão, nem escola para as crianças, e nos faróis,
em mutirão, ou então pedindo esmola.
O destino da merenda também perde a sua rota, e o resultado é
a Febem, a única que lhes abre a porta.
Seus pais já não têm emprego, para os poder sustentar; não têm
casa nem comida e muito menos pra estudar,se fazem de surdos e
mudos os que podem ajudar. O mundo já é arte; não se vê o sol
brilhar, nem a luz no fim do túnel se consegue enxergar. Está cada
dia mais difícil a esperança de melhorar, enquanto mentes dementes
teimarem em governar.
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